POR ILISP E POVO
Alexandre de Moraes passou anos decidindo, sozinho, o que pode ser dito e quem vai preso no Brasil. Enquanto isso, o escritório da mulher dele aparecia em contratos e instrumentos ligados ao Banco Master e a outra empresa de Vorcaro cujos valores nominais somavam até cerca de R$ 181 milhões.
Não é boato: os documentos existem e vieram a público. Estão no relatório da Polícia Federal, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, em documentos da Receita Federal e no andamento processual público do próprio STF.
Nós, cidadãos brasileiros, não aceitamos que isso acabe em pizza no STF. Por isso, esta petição tem dois eixos:
OS FATOS
- Segundo o relatório da Polícia Federal, Daniel Vorcaro encaminhou dezenas de mensagens ao contato salvo em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA", inclusive nos dias que antecederam sua prisão, quando demonstrava preocupação com as investigações. Vorcaro chegou a perguntar: "Conseguimos fazer algo?" e "Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?", em referência, segundo a investigação, ao PGR Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF Andrei Rodrigues.
- O Banco Master firmou contrato de R$ 131 milhões com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Documentos da Receita Federal apontam R$ 80,2 milhões declarados pelo Master como pagamentos ao escritório.
- Ao examinar a minuta desse contrato, enviada por Viviane a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024, os metadados do arquivo analisado pela Polícia Federal registram alterações feitas por um perfil identificado como "Ministro Alexandre de Moraes". Nas mensagens, Vorcaro trata esse pagamento como o "mais importante" e orienta que os pagamentos não atrasem.
- Em 8 de novembro de 2024, com o contrato familiar já vigente, Alexandre de Moraes pediu vista na Suspensão de Tutela Provisória 976, uma disputa bilionária de precatórios de interesse do Master, devolvendo o processo somente em fevereiro de 2026, mais de 15 meses depois, atuando diretamente em processo de interesse econômico do Banco Master enquanto o banco mantinha contrato milionário com o escritório de sua esposa.
- Segundo o relatório da PF e documentos encontrados no celular de Vorcaro, há um instrumento datado de 12 de maio de 2025 prevendo uma contratação de R$ 50 milhões entre a Viking Participações e o escritório Barci de Moraes. R$ 40 milhões viriam de participações em empresas proprietárias de aeronaves, uma delas de um jato Legacy 650, e os R$ 10 milhões restantes, do reembolso de despesas com essas aeronaves.
- Em nota divulgada em 31 de março de 2026, o gabinete do ministro afirmou que ele "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro". Em 20 de setembro de 2026, vieram a público imagens de Alexandre de Moraes e de Viviane Barci desembarcando, em 22 de agosto de 2025, de um jato Legacy 650 operado pela Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, no aeroporto Santos Dumont. Diante das imagens, o escritório Barci de Moraes confirmou os voos, alegando que "a escolha das aeronaves segue critérios operacionais".
Esses elementos, em conjunto, ferem a confiança mínima exigida de um ministro do STF. A Lei nº 1.079/1950 define como crime de responsabilidade de ministro do Supremo proceder de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro das funções (art. 39, item 5). E a Constituição atribui ao Senado Federal a competência para processar e julgar os ministros do STF (art. 52, II) por crime de responsabilidade.
O COMPROMISSO ELEITORAL
Em 4 de outubro, o Brasil elege 54 senadores, 513 deputados federais, 1.059 deputados estaduais e distritais, 27 governadores e o Presidente da República. E a condenação de um ministro do Supremo por crime de responsabilidade exige ao menos 54 votos, dois terços do Senado.
Não vamos entregar nosso voto às cegas. Nos comprometemos a votar somente em candidatos que apoiem publicamente o impeachment de Alexandre de Moraes, independentemente do cargo para o qual concorram, por se tratar de uma pauta que demanda apoio de todos os eleitos.
Os candidatos devem fazer uma manifestação verificável feita pelo próprio(a) candidato(a), por meio de declaração assinada, vídeo ou publicação em perfil oficial. Todas as respostas serão registradas em lista pública, aberta a qualquer eleitor, atualizada continuamente até a véspera da eleição.
DIANTE DISSO, OS SIGNATÁRIOS:
- Requerem ao Senado Federal que receba e dê regular tramitação às denúncias por crime de responsabilidade, protocoladas com fundamento nesses fatos, contra o ministro Alexandre de Moraes, nos termos do art. 52, II, da Constituição Federal e da Lei nº 1.079/1950;
- Convocam os candidatos, em todos os níveis, a tornar pública sua posição sobre o apoio ao impeachment de Alexandre de Moraes; e
- Registram que votarão apenas em candidatos que defendam publicamente o impeachment de Alexandre de Moraes.
Assine, compartilhe e cobre o seu candidato antes de 4 de outubro.
Brasil, setembro de 2026.